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Concepção de ensino e aprendizagem

 

A partir da concepção de mundo e de ser humano, que tem como uma de suas características a transformação constante, a Comunitária sempre buscou ressignificar a sua concepção de ensino e de aprendizagem, alinhada às necessidades de uma educação atualizada.

A educação acontece em um contexto histórico-social, que inclui elementos culturais, políticos, econômicos e tecnológicos. Quando esse contexto se altera, é inevitável que a escola se altere também, sem perder de vista seus princípios fundadores que permanecem e são a essência, o sentido de educação para esta Escola.

Coerente com as concepções de mundo e de ser humano, a Escola Comunitária desenvolve a sua proposta pedagógica embasada nas concepções sociointeracionista e construtivista do conhecimento. Essas duas concepções têm em comum o aluno ativo, que constrói o conhecimento na interação consigo mesmo, com os outros e com o objeto do conhecimento, mediado pela linguagem. A aprendizagem deflagra vários processos internos de desenvolvimento mental.

A opção por essas concepções se dá pela coerência com o Projeto Político Pedagógico da Comunitária, pois o conhecimento deixa de ser consumido passivamente e passa a ser produto de processos de elaboração e construção.

Nessas concepções, tanto os indivíduos como os grupos de indivíduos constroem ideias sobre o significado e o funcionamento do mundo. A forma pela qual os indivíduos dão sentido ao mundo varia amplamente e os pontos de vista individuais e coletivos mudam com o tempo. Cada sujeito tem os próprios esquemas de assimilação, mecanismos internos para a apreensão do que os sentidos e a mente alcançam. Cada indivíduo, a seu modo, lê o mundo, recebe-o e ajusta aos próprios esquemas de assimilação.

A postura sociointeracionista da construção do conhecimento acredita que o homem é dotado de uma consciência reflexiva, que lhe permite construir seus conceitos de realidade e alterá-la. O ser humano e, portanto, o aluno, não é um ser passivo, que apenas vê e ouve a realidade e a registra. Esta, por sua vez, não é estática, não é algo pronto e acabado, é construída no encontro entre sujeitos humanos e o mundo em que vivem.

A possibilidade do ser humano se constituir enquanto sujeito e de se apropriar das conquistas anteriores da espécie humana (cultura) está, de um lado, relacionada ao desenvolvimento de seu sistema nervoso e, de outro, à qualidade das trocas que se dão entre os sujeitos, ou seja à qualidade do processo educativo do qual faz parte. Desta forma, consideramos que tanto a maturação quanto o processo educativo, incluindo aí o ensino, exercem influência sobre a construção de conhecimentos e, portanto, sobre a constituição e desenvolvimento dos seres humanos.

O processo de ensino e aprendizagem é concebido para formar sujeitos autônomos, participantes de um mundo que está em constante mudança, exigindo, sempre, posicionamento e reflexão de quem nele atua. Para isto, as propostas de trabalho para o aluno devem ser desafiadoras, que instiguem a criatividade, promovam a mobilização de esquemas mentais complexos e significativos, dando condições para que ele exerça a tomada de decisões e seja competente para atuar em diferentes situações.

Esse sujeito, nesta concepção, desenvolve os aspectos sócio-emocionais tão importantes para a sua formação integral, para o seu autoconhecimento  e reconhecimento do outro, constituindo-se parte de uma coletividade com a qual deve se comprometer.

A educação na Comunitária tem como meta propiciar a evolução do ser humano, passando de um ser ainda dependente quando nasce, para um adulto competente e autônomo, conquistando no decorrer do tempo a sua realização pessoal, interpessoal e social.

O sujeito do processo de aprendizagem, não deve ser fragmentado, mas compreendido em sua totalidade, como organismo biológico e social, integrante de um contexto sócio histórico, que é parcialmente local e parcialmente planetário.

O ensino, portanto, deve contribuir para que o aluno construa competências e habilidades a partir dos conhecimentos de diferentes ciências, das atitudes e valores, necessários para realizar o seu projeto de vida.

Desta forma, a aprendizagem social e emocional complementa a vivência acadêmica,  resultando em uma educação integral do aluno. Assim, o Projeto Político Pedagógico da Comunitária entende que a formação de todos os cidadãos deve estar direcionada a que sejam competentes para serem capazes de responder aos problemas de uma vida comprometida com a melhoria da sociedade e deles mesmos, desenvolvendo as dimensões pessoal, interpessoal e social. Na dimensão pessoal, destacamos a importância do autoconhecimento, da autoconsciência, do reconhecimento das aspirações mais profundas, dos próprios sentimentos e da autogestão deles. Na dimensão interpessoal, ser capaz de compreender a realidade alheia e se relacionar com ela da perspectiva do outro e não apenas da própria. A tolerância, a empatia, a capacidade de trabalhar juntos, são valores que devem estar presentes no trabalho da sala de aula. Na dimensão social o ensino e a aprendizagem devem favorecer a competência para que o aluno participe ativamente da sociedade. Para isso, as escolhas do que ensinar deverão ser na direção da compreensão do mundo mais amplo, no modo como os sistemas interagem e criam redes de interdependência, seja essa interação na família, na escola, seja do mundo como um todo.

Nesta perspectiva, aprender não é simplesmente absorver e acumular informações. É tornar-se capaz de utilizar os conhecimentos e agir de forma competente e ética. Por isso nos identificamos com metodologias ativas, interativas e colaborativas. Não apenas com um fazer mecânico, mas um fazer consciente e reflexivo, construído em um contexto.

Dentre as características desta concepção de ensino e aprendizagem, destacamos alguns dos norteadores deste processo:

- a relevância dos conteúdos e contextos que serão ensinados e aprendidos, considerando a relevância social, o nível do desenvolvimento do alunos, os conhecimentos prévios dos alunos, o grau de significatividade da aprendizagem, o grau de funcionalidade da aprendizagem, a contribuição de cada disciplina, articulando conteúdos dentro da própria disciplina e entre as disciplinas (interdisciplinaridade) e  a participação dos alunos.    

- a diversidade de metodologias, isto é, proporcionar ao aluno diferentes situações de aprendizagem, buscando estratégias para dar sentido ao conhecimento, para estabelecer relações entre os fenômenos naturais, sociais e pessoais, para abordar e pesquisar problemas que vão além da compartimentalização disciplinar, ajudando o aluno a compreender melhor a complexidade do mundo em que vive. Dentre essa diversidade de metodologias destacamos o trabalho com projetos de classe, os projetos individuais, os módulos de aprendizagem, as assembleias de classe e de curso.

- a intencionalidade de estratégias e intervenções que atuem no campo do autoconhecimento, das relações interpessoais, da resolução de conflitos, da cooperação e do diálogo.

 


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