Homenagem à D. Amélia

Dia 31 de maio de 2008, D. Amélia foi homenageada com o título de PROFESSORA EMÉRITA da ESCOLA COMUNITÁRIA DE CAMPINAS, com uma placa que está colocada na entrada do prédio da Administração , que poderá ser apreciada por todos.
Essa homenagem ocorreu num encontro mais intimista, respeitando as condições de saúde de D. Amélia, com a presença dos professores , funcionários, com representantes dos pais (Conselho Administrativo) e alunos ( Grêmio).

Compartilhamos as mensagens proferidas nesse encontro, tão significativo para D. Amélia e para a nossa Escola.

Homenagem dos professores, proferida por Sandra Maria Salgado Galli

D. Amélia,

Vou falar com a senhora, em nome dos professores, mas como se fosse uma filha falando à sua mãe, no sentido da amorosidade, da cumplicidade e da gratidão; uma filha ora rebelde, ora cordata, muitas vezes falante demais, aprendendo a ouvir, ora teimosa, indagante, ora reflexiva, ora imediatista, ora paciente... enfim, a humanidade que todos nós trazemos cada qual dentro de si.

Quero dizer que sua vida tem nos ensinado muito, o tempo todo, e que a senhora é e sempre será, pessoalmente e para a Escola Comunitária, a grande referência.

Não irei enumerar tudo o que foi parte de nossa convivência, fique tranquila, pois ficaria aqui a perder de vista. Uma das coisas que aprendemos foi a priorizar, coisa que a senhora sempre nos alertou – não escolha muito – um ou dois pontos, para conseguir realizá-los.

- Quero começar, pela sua visão à frente– alguém que vê mais longe no horizonte- “quando aponta o céu, não olha o dedo, busca decifrar o céu” e assim sempre significou uma estrela-guia; 

- e quando a pessoa vê mais longe, ela realiza tudo o que é possível hoje, mas não se contenta com o agora, quer transformar, tentar novas possibilidades, fazer diferente, corrigir distorções e desigualdades, vencer desafios...

- e quando assim o faz, não quer ir sozinha, quer levar todos consigo, respeitando cada qual no seu estágio, e com isso a senhora sempre movimenta a todos, mas sente incômodo com aqueles que se contentam em ficar aonde estão, que dizem não poder fazer mais nada, ou colocam as justificativas das impossibilidades sempre fora de si, sem se rever ;

- quando falo de todos, são todos mesmo: alunos, pais, professores, funcionários; brancos, negros, de toda raça, religião, classe  social. A senhora mostra o mesmo carinho e respeito por todas as pessoas, quer uma sociedade onde todos tenham oportunidades;

- e a sala de aula, então? Para a senhora, um local sagrado, lugar onde vivemos toda a nossa crença: em cada gesto, na relação com o conhecimento, com os alunos; investigando e interferindo no contexto ou nas pessoas, conforme a visão de mundo e de homem que se tem; expondo, não só com palavras, todos os nossos reais valores, o que de fato nós somos.

A senhora disse uma certa vez assim:

“No começo de meu magistério tinha uma grande ilusão – quando tiver experiência tudo irá se resolver de uma maneira mais fácil e menos sujeita a erros, falhas e dúvidas. Hoje penso de modo diferente – cada dia é um dia. Cada dia me defronto com novas situações onde tenho que reaprender tudo. É verdade que a experiência ajuda, principalmente a entender que lidar com gente é diferente”

 D. Amélia, nossa fala é, mais que tudo, uma expressão de gratidão, pelo privilégio de conviver e aprender com a senhora, pessoa tão íntegra e tão especial, em torno da qual esta Escola foi fundada e sem quem esta história não teria acontecido.

A senhora é muito querida.

(Agora, peço a todos: alunos, pais, professores e funcionários que repitam algumas palavras de compromisso com D. Amélia, assim como um juramento.)

Todos nós reafirmamos, através do nosso esforço num trabalho em equipe, o compromisso de cuidar desta SUA Escola, que também é nossa, de coração.

 

Homenagem dos pais, proferida pelo Diretor Geral do Conselho Administrativo, Marcos Mangabeira Albernaz

Estou aqui como representante dos pais da Escola Comunitária.

E em nome desses pais, sinto-me extremamente honrado em homenagear com algumas palavras a mãe desta Escola, a mãe dos nossos filhos, a nossa mãe, mãe de todos, a seiva, a raiz.

Mãe não se escolhe, mas somos privilegiados em poder escolher D. Amélia, que foi a preferida por pais que, um dia, há 30 anos, quiseram uma nova Escola para seus filhos.

 Mãe que sempre primou pela coerência na vivência desta proposta pedagógica. Humildade que se revelou em horizontalidade nas relações com todos; do não conformismo presente em suas falas e atitudes. Mãe sempre à frente no tempo.

E, depois desses 30 anos, cada Diretoria que entra renova o mesmo espírito, projeto de vida e existência desta Escola.

“Penso que a flor da paz só brotará na terra quando a fome for banida, quando o homem e a mulher puderem ter um trabalho digno, quando cada pessoa for respeitada por ser um ser humano, quando cada um se sentir realmente responsável pela construção de toda a sociedade”.( Palavras de D. Amélia)

Pois é D. Amélia, como é maravilhoso podermos partilhar desse grande ideal, um sonho real.


Homenagem dos funcionários, proferida por Maria Lygia Cardoso Kopke Santos

 Querida D. Amélia,

 No decorrer da vida, temos o desafio de, assim como o artesão, realizar um trabalho belo, com amor, com criatividade e com dedicação.

Um trabalho que não acontece do dia para a noite, que  leva tempo para ser construído. Fio a fio, ponto a ponto, pede paciência, sensibilidade, perseverança. Assim é sua vida, querida D. Amélia!

Vida de construção, de realização, de beleza.  Vida e arte.

Nossas crianças precisam do nosso exemplo como educadores; nós, educadores, precisamos de exemplos como o seu, que nos guiem no caminho  tão misterioso e repleto de descobertas que é a educação.

Lembrando suas inúmeras mensagens de “Esperança” e “Confiança” no ser humano, queremos que a senhora tenha hoje a certeza de que seu exemplo e suas mensagens nos transformaram em pessoas melhores.

Sinta o abraço apertado de cada funcionário desta escola.

 Homenagem dos alunos, proferida pela alunas Izabel Camarão Telles Ribeiro e Mariana Silva Calvo

 Quando nos pediram para escrever umas palavras para a Dona Amélia, logo vimos que não seria uma tarefa fácil a de colocar em um pedaço de papel tantos feitos que nos marcaram desde a nossa infância. É inevitável imaginar que, sem sua perseverança para realizar este sonho, não estaríamos aqui hoje.

 Durante tantos anos foram inúmeras as vezes nas quais presenciamos sua cooperação, fazendo sempre questão de estar a par de todos os acontecimentos e necessidades da Escola. Sua força e gentileza, algo que se destacava diante de nós; sua determinação e empenho para estar sempre melhorando a Escola, além de sua presença contínua eram motivos de inspiração para todos.

 Aprendemos desde cedo que vale a pena lutar pelo nosso sonho e que se nos unirmos, tudo é possível.

 Não temos palavras para dizer o quanto somos gratos por ter cuidado tão bem de todos nós: toda sua preocupação com cada um, todo seu carinho nos cumprimentos pelo corredor, os textos lindos e emocionantes que completaram tantas datas. Foram essas algumas das coisas que construíram, não uma escola, mas uma família, família essa que é motivo de choros em formaturas tão emocionantes. Afinal, é difícil deixar uma família tão acolhedora e única.

Se hoje estamos aqui, devemos muito à senhora, muito obrigado por tudo!