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EM PROCESSO
Sob
esse título poderia apresentar quase todos os trabalhos por mim já
produzidos até hoje, nesses quase 20 anos
dedicados à fotografia - paixão que, por sinal, nasceu dentro da Escola
Comunitária. É verdade que começou como um
incômodo... No estudo do meio a Curitiba via o Edu, professor de ciências,
fotografar, todo empolgado, uma parede de pedras;
enquanto eu e algumas colegas discutíamos como deveríamos compor uma imagem.
O Edu perguntou se queríamos uma sugestão,
pegou a máquina e disse “façam assim”... Já em Campinas levamos os filmes
para revelar e estava bem curiosa para ver
“a foto do Edu”! Acho muita graça em lembrar, mas devo dizer que fiquei
bastante desapontada ao ver a foto, para mim, na
época, era apenas uma parede de pedra! Obviamente me faltava repertório para
gostar daquela imagem que me parecia tão sem
graça em 1988, mas da qual, poucos anos depois, passei, inconscientemente, a
fazer muitas parecidas... Tive, ao longo dos anos,
uma porção de outras experiências parecidas: o incômodo é algo muito
importante no processo produtivo artístico. Quando o
incômodo termina, termina o processo e o interesse pelo trabalho.
As imagens que compartilho com vocês foram feitas em pequenas
tecelagens tradicionais da Carioba, bairro de Americana.
É uma experiência impressionante, que nos faz pensar na revolução
industrial: as tecelagens são absurdamente quentes,
barulhentas e empoeiradas, alguns dos funcionários têm apenas 16 ou 17
anos... Mas apesar disso me incomodar, e muito, o
meu trabalho não é documental. O que me atrai nos lugares é a atmosfera, a
luz, ou melhor, a falta dela. Gosto quando a imagem
é difícil de decifrar, de enxergar... Não existe nada fácil na vida, por que
deveríamos fazer imagens de outra forma?
Carolina Engler |