GALERIA DE ARTE DA ESCOLA COMUNITÁRIA

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GUTO LACAZ


Coordenação e curadoria: Tina Gonçalez

Período: 21 de maio a 27 de junho

Local: Escola Comunitária de Campinas

Horário de visitação: das 7h às 18h – de segunda a sexta-feira

 

 

 

 

 

 

 

GUTO LACAZ
Uma breve biografia

        Carlos Augusto Martins Lacaz nasceu em São Paulo, em 1948. É arquiteto pela FAU/USP e artista plástico. Em seu conjunto de obras podemos encontrar esculturas lúdicas, videoinstalações, multimídia, eletroperformances, projetos e instrumentos científicos. Participou de diversos eventos, entre eles SKY ART na USP (1986) e Water Work Project, Toronto, Canadá (1978). Lecionou comunicação visual e desenho de arquitetura na Faculdade de Artes Plásticas da PUC/Campinas, em 1978-80. Foi professor do curso A Técnica e a Linguagem do Vídeo, no festival de inverno de Campos de Jordão, em 1983. Foi editor da revista Around AZ. É colaborador da Revista Caros Amigos, na qual publica seus cartoons,  obra que estará exposta na Galeria de Arte da Escola Comunitária.

Artista multimídia, desenhista, ilustrador, designer, cenógrafo e editor de arte de revistas. O artista mostra-se extremamente coerente com a variedade de lugares e situações onde apresenta seus trabalhos: de galerias e museus a teatros, espaços públicos e televisão.

O homem que brinca com a arte. Em suas obras e performances, Guto manipula diversos objetos e apresenta-se como uma mescla de artista-ator, inventor e mágico. Em suas instalações, transforma radical e poeticamente as funções dos objetos do dia-a-dia, chegando a tangenciar o insólito.

A produção de Guto Lacaz transita entre o design gráfico, a criação com objetos do cotidiano e a exploração das possibilidades tecnológicas na arte, sempre tratados com humor e ironia, como é possível notar em Crushfixo (1974), um de seus primeiros trabalhos, ou em Fuscão Preto no Acapulco Drive-In (1981), no qual, por meio de uma maquete, associa uma canção popular à música de vanguarda do compositor Arrigo Barnabé (1951).

Vários de seus trabalhos relacionam-se ao universo da mídia e do consumo, como Óleo Maria à Procura da Salada (1982), em que uma lata de óleo se desloca em uma bandeja equipada com radares, ou Ono (1991), obra em homenagem ao arquiteto Walter Ono, criada a partir de uma embalagem de sabão em pó. Lacaz realiza também grandes instalações, como Auditório para Questões Delicadas (1989), na qual faz uma intervenção no parque Ibirapuera, em São Paulo. Instala, no meio do lago do parque, sequências de cadeiras que, por meio de estruturas ocultas, parecem flutuar na água. Em Cosmos (1991), definida pelo artista como uma livre interpretação da mecânica celeste, dispõe, em uma sala escura, pedestais de diferentes alturas, cujos motores elétricos fazem com que pequenas esferas brancas descrevam orbitais que variam em direção, diâmetro e velocidade. Ao percorrer a instalação, o espectador tem a sensação de estar caminhando por entre os corpos celestes.

Guto Lacaz realiza, ainda, diversas performances, como Espetáculo Máquinas II (1999) ou Eletro Performance (1984), que têm como participantes a atriz Cristina Mutarelli (1957), o arquiteto Javier Borracha e o irmão do artista, Nenê Lacaz, entre outros.

Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural – Arte e Tecnologia

 Guto Lacaz e o desenho

O desenho foi meu primeiro amor e amigo inseparável de todos os momentos.

Tristeza, melancolia, solidão, alegria, passatempo, lá estava ele para compartilhar comigo.

Adorava ver desenhos impressos em revistas e jornais.
Os livros tinham que ter desenhos.

Adorava ver meu vizinho Ruy Pedreira desenhar.

Ele desenhava o que pedíamos. Com caneta-tinteiro, direto, sem errar!

Colecionava seus desenhos e - claro! - queria desenhar como ele.

Como todas aquelas formas poderiam surgir da ponta de uma caneta? Que mágica era aquela?

Seria possível dominá-la?

Sempre desenhei. Desde criança, na adolescência, depois na faculdade e, hoje em dia, mais e mais.
Sempre invejei os que desenhavam melhor que eu, os mais virtuosos, ou os que tinham desenho
muito diferente do meu.

Nunca pensei que viveria do desenho. Que comeria, me vestiria, compraria carro e casa, que ele me seria tão generoso e fiel.

Seu poder de registrar o olhar e o que a imaginação nos presenteia.

Seu poder de estimular o autoconhecimento, gerando conflitos e soluções.

Revelador de idéias, captador de vibrações e criador de realidades paralelas.

Com instrumental rudimentar - lápis e papel - ele se manifesta.
Registra trajetórias, define formas, mostra ponto a ponto uma imagem que se revela.

Já desenhei com quase tudo. Nos tempos de faculdade, com lápis HB, B, 2B ... 8B e muito com as canetas tipo Oxford.

Criadas para desenho técnico, apresentam um traço uniforme.
Depois, observando desenhistas como Saul Steinberg, Jaguar e outros, experimentei as penas,
que dão grande variedade de espessuras de traço e expressão.
Daí fui para o pincel e o nanquim, onde o acidente traz muitas surpresas agradáveis.

Hoje desenho com caneta-tinteiro Pelikan ponta média e tinta Parker preta.

Às vezes penso em algo e desenho para registrar e depois desenvolver a ideia.

Muitas vezes desenho sem pensar e as formas vão aparecendo do nada, como se estivesse psicografando.
De muitos garranchos surge sempre alguma luz, uma boa surpresa, uma série, uma história.
A mão leva e é levada. Se desloca, pára, muda de direção, o olho julga ... É bom desenho?

Comecei desenhando cartuns. Adorava copiar revistas.
Depois aprendi geometria e desenho técnico - comecei a desenhar objetos.

Depois estudei arquitetura, na qual o desenho é a linguagem.
Aprendi o desenho como instrumento para projetar.
Aprendi cinema de animação.

O desenho se prestava a todo tipo de raciocínio, representava todo tipo de ideia.

Hoje, vivo de desenho. Ora para atender clientes de ilustração e desenho gráfico, criando marcas, revistas, livros, cartazes, ora para realizar projetos de artes plásticas.

Gosto de folhas soltas de papel sulfite. São baratas, portanto não intimidam.

Tudo o que faço passa pelo desenho: ilustrações, gravuras, objetos, instalações, performances, etc.

Tudo é desenhado. Do informal croqui ao técnico - com os instrumentos de geometria.

Gosto de voltar a rever desenhos. Assim valorizo ideias que passaram despercebidas.

Acho que uma pessoa só pode dizer que viu uma coisa, depois de tê-la desenhado.

Estou aqui fazendo este louvor ao desenho, mas preciso dizer que desenho enlouquece.

Produz raiva, ódio mortal, sensação desagradável de incapacidade, mostra seus limites.


Por Guto Lacaz ( ilustrador da página Um Desenho, na revista Caros Amigos)  

publicado no blog ducattilustra - sábado, 2 de maio de 2009