. UMA FILOSOFIA DE EDUCAÇÃO
A Educação de um povo, de um
grupo, ou mesmo de uma pessoa se realiza através de um processo;
portanto, ela é lenta, contínua e dinâmica.
A Educação também não se faz através
de uma pessoa, mas através de um grupo. Quando dizemos que alguém
foi um grande educador, queremos dizer que aquela pessoa foi capaz de captar
as aspirações ou anseios de um grupo e elaborá-los,
para depois explicitá-los. A partir desta explicitação,
as pessoas aceitam, rejeitam ou questionam o conteúdo. A posição
tomada, perante o discurso exposto por alguém, ou do seu testemunho
de trabalho, significa que a aceitação se faz ou não,
só diante de valores já interiorizados pelas próprias
pessoas. É o que chamamos de filosofia de vida. Cada pessoa, cada
grupo, tem os seus valores e procura vivê-los para ser coerente. São
estes valores ou esta filosofia que nos faz posicionar frente a cada ato,
frente a cada situação. São estes valores que nos definem
como pessoa. E é como pessoa que ajo e interajo com os outros e me
posiciono frente aos fatos, aos acontecimentos. É uma filosofia de
vida que me faz aceitar mais uma situação que outra, que me
faz aderir a este ou àquele sistema de educação.
Toda Escola ou todo grupo de educadores tem uma filosofia de educação
definida. Toda Escola tem as suas vigas mestras, os seus pilares bem fincados.
Com o correr dos tempos, estes valores vão sendo explicitados por
um grupo de educadores. É justamente esta explicitação,
através da maneira de ser e agir dos professores, funcionários
e coordenadores, que define uma Escola. Quando a Escola consegue isto, ela
realmente está educando. Pode parecer a esta altura que a Escola
está impondo os seus valores. Aqui pode ser aberto um amplo debate.
Para nós, é justamente esta a nossa visão de educação.
Mostrar um caminho através do nosso modo de ser e agir, e deixar
que o(a) aluno(a), conhecendo um caminho, possa segui-lo ou rejeitá-lo.
Isto não significa um tipo de ação única, e
sim definição de objetivos a serem alcançados ou procurados
através de caminhos e meios diferentes.
Os nossos objetivos são bem amplos, portanto comportam uma gama imensa
de caminhos.
Na parte intelectual, a nossa única proposição é
que o aluno tenha possibilidade de trabalhar sobre a proposta apresentada
pelo professor. A proposta nunca deve ser fechada, pronta, acabada.
É preciso abrir espaço para
que o aluno o preencha com os conhecimentos adquiridos através de
informações colhidas, ou melhor, através de sua experiência
de vida. Não me refiro somente a um simples acrescentar conteúdo,
porém elaborar e trabalhar este conteúdo; refletir sobre o
mesmo, tirar conclusões, criticar, levantar hipóteses, etc.
Só assim a Escola não será mera transmissora de conhecimentos.
Quanto à parte social, a nossa proposta é que o aluno saiba
descobrir, nos seus companheiros de Escola, pessoas que com ele possam trabalhar,
construir algo em comum. Pessoas com as quais possam se relacionar, conviver,
e não competidores, numa luta de quem sabe mais, pode mais, ou tem
mais.
Sabemos que muitas pessoas acham isto uma utopia e talvez tenham razão
de assim pensar, porém nós escolhemos este caminho - o da
cooperação.
Não sei se conseguimos, porém vale a pena lutar. A vida por
si só estimulará à competição, infelizmente.
Cabe a nós mostrar outro caminho.
Quanto ao afetivo, estamos convencidos de sua importância.
Dentre os aspectos que julgamos possíveis trabalhar dentro da Escola
acreditamos poder:
- Ajudar o aluno a se conhecer, situando-se frente à Escola, professores,
colegas e perante ele mesmo; ajudar o aluno a explicitar os seus sentimentos,
quaisquer que sejam, e a lidar com eles; estabelecer laços afetivos
entre educador e educando, porque entendemos que o afetivo é imprescindível
para o desenvolvimento do intelectual nesta nossa proposta.
É muito importante, também, a postura do professor e da equipe,
porque não se educa falando ou impondo valores, e sim sendo naturalmente
aquilo que somos. E só somos, à medida que tentamos viver
coerentemente aquilo em que acreditamos. Poderemos divergir quanto às
técnicas empregadas, modos e maneiras de selecionar os conteúdos,
porém é preciso que, em relação à linha
filosófica, tenhamos uma unidade de pensamento e ação.